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Medicina no Tocantins

EXPANSÃO DOS CURSOS DE MEDICINA NO ESTADO DO TOCANTINS: ANÁLISES INICIAIS

Lucas Milhomem Paz1, Ágata R. dos Santos1, Anna Aliny D. Campos1, Cristina Zanettini-Ribeiro1, Durval Nolasco Neves2

1Faculdade de Ciências Humanas, Econômicas e da Saúde/ Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos - Palmas (FAHESA/ITPAC Palmas)

Quadra ACSU-SE 202 Sul, Avenida NS B, Conjunto 02, Lote 03 – Palmas TO.

2 Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos (UNITPAC)
Av. Filadélfia, 568 – 77816-540, Araguaína – TO.

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O Tocantins é o mais novo estado brasileiro, emancipado em 1988, formado por 139 municípios, com uma população de aproximadamente 1.500.000 habitantes. O Ensino Superior local, traz entrelaçada a sua própria história. Em 1990 foi criada a UNITINS – Universidade Estadual do Tocantins, primeira Instituição de Ensino Superior (IES) do estado. A partir de tal marco, a expansão do Ensino Superior, seguiu o movimento político da década de 1990, em que o setor privado ganhou espaço, assim como nas décadas seguintes, políticas expansionistas para o setor público influenciaram implantações e reestruturações no que se trata de oferecimento gratuito deste nível de ensino.  

Para fazer o recorte da tal pesquisa, considerou-se que o estado hoje, é referência em saúde, atendendo uma população que vai além das próprias fronteiras. A região do Bico do Papagaio, tendo em Araguaína o principal suporte, abrange atendimentos desta região geográfica, além do sul do Maranhão e do sul do Pará; o centro do estado e casos mais graves, são encaminhados para Palmas; e o sul do estado, tendo como base Gurupi, além da sua região, muitas vezes também atende a outros estados.  Considerando ações oriundas da pactuação entre Estado e Municípios, que visam a ampliação de acesso e metas lançadas em um Plano de Saúde, o Tocantins planeja “ser referência na gestão em saúde coletiva na Região Norte do País até 2030”. Dessa forma, é relevante pensar a saúde a partir da formação dos profissionais.

Tendo como base o contexto de desenvolvimento da área da saúde e o panorama da educação superior no estado do Tocantins, o objetivo geral do trabalho é analisar a evolução dos cursos de medicina no estado do Tocantins, entre os anos de 2005 a 2015, a partir de uma análise quali/quantitativa, de cunho documental, de dados extraídos do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), considerando as categorias de análise pré-estabelecidas pelo Instituto. A escassez de estudos no que se refere ao ensino superior no estado faz com que a pesquisa tenha seu início na busca de dados que mostrem a evolução deste nível de ensino, para que a partir do panorama encontrado, possa acontecer uma discussão mais aprofundada acerca de tal temática.

Entender a educação superior no cenário brasileiro torna-se exigência estratégica no desenvolvimento econômico, político e social, seja em âmbito nacional ou local. Recorrente a isso, a organização das suas atividades vem se transformando com maior intensidade. A Educação Superior hoje, desempenha papel fundamental para a formação de sujeitos habilitados ao exercício da cidadania e qualificados para o trabalho. Nesse cenário, as Universidades e demais arquiteturas institucionais estão se reorganizando gradualmente para responder às novas demandas governamentais, industriais e de grupos sociais (CLARK, 2004). Tais transformações são pautadas principalmente por políticas públicas e novas formas de gestão, voltadas à inovação e empreendedorismo com vistas muitas vezes à sustentabilidade das próprias instituições.  

 Fenômenos econômicos e sociais em uma globalização impulsionada pelas tecnologias da informação e comunicação implicam no conhecimento, como atributo da competitividade, em uma demanda de inovação contínua (ZANETTINI-RIBEIRO, 2015). Tal discurso defendido acerca do ensino superior, teve como base um movimento expansionista, que vem ressignificando o ensino superior. Os números que mostram a evolução de tal nível de ensino, trazem imbricados significações acerca do desenvolvimento econômico e social de um país ou uma região.

Ao analisar a temporalidade da expansão deste nível de ensino, as décadas de 80 e 90, trazem uma ascensão do setor privado (SGUISSARDI, 2006), enquanto ações pós LDB (1996) indicam um crescimento mais equilibrado dos setores público e privado, tendo com o passar do tempo a criação de políticas em que o acesso e a permanência caracterizaram-se como importantes mecanismos de equidade (FRANCO, 2010).

A estrutura das Instituições de Ensino Superior, são divididas em Faculdades, Centros Universitários e Universidades. Inicialmente as IES são credenciadas como faculdade, podendo com o tempo e critérios se credenciar como centro universitário até chegar a universidade.  Além dos credenciamentos citados, existem os institutos federais, os quais tem como objetivo o oferecimento de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino (REIS, ET. AL., 2014).

Para contemplar o objetivo, a partir do canal de comunicação do INEP, foram solicitados os microdados do Censo da Educação Superior, relacionados aos cursos de Medicina do estado do Tocantins, tendo o intervalo de 2005 a 2015 o tempo proposto para análise. A expansão foi analisada a partir das seguintes categorias: públicas, privadas; tipos de instituições; modalidade dos cursos. Considerou-se ainda dados acerca do número de ingressos e concluintes.

    Os dados relacionados a Expansão dos Cursos de Medicina no Estado do Tocantins são relevantes. Em todas as categorias analisadas houveram evolução dos números.

No que se refere a categoria Instituições, em 2005, 1 IES privada e 1 municipal ofereciam curso de Medicina.  Na capital do estado, Palmas, apenas em 2007 é registrado o curso de medicina, sendo esse oferecido em Instituição Federal. No ano de 2015, último disponibilizado pelo INEP, o estado do Tocantins apresentava 4 cursos de Medicina em funcionamento, sendo 2 em instituições públicas de ensino e 2 em instituições privadas. Quanto ao tipo de instituição, os cursos de Medicina são oferecidos por 2 Centros Universitários, 1 Universidade e 1 Faculdade.

Na categoria Ingresso, é possível observar a evolução uma vez que, no ano de 2005 houve um total de 312 ingressos enquanto no ano de 2015 foram 560 ingressos, desse modo ocorreu um crescimento de 79%, entre os 2 anos analisados. Se observado por ano é possível observar a evolução, principalmente no setor privado.  O setor público tem seus primeiros registros de ingresso no ano de 2007.

Gráfico 1: Evolução do número de ingressos em Cursos de Medicina, conforme categoria administrativa, Tocantins – Brasil, 2005 a 2015.

De uma forma geral, houve um total 90 alunos concluintes no ano de 2005, apresentando um crescimento de 398% até o ano de 2015 quando foram 448 concluintes. No que se refere a concluintes das instituições públicas, em 2013 são os primeiros registros, totalizando 66 concluintes. Em instituições privadas o número de concluintes em 2005 é de 60, apresentando crescimento relevante nos anos seguintes.

Gráfico 2: Evolução do número de Concluintes em Cursos de Medicina, conforme categoria administrativa, Tocantins – Brasil, 2005 a 2015.

A pesquisa traz uma análise inicial da Expansão dos Cursos de Medicina oferecidos no Estado do Tocantins. É possível observar que o setor privado detém os maiores números em todas as categorias analisadas. Se relacionado a políticas de caráter expansionista, observamos que, o setor público começa a ter representatividade a partir da publicação dos Planos Nacionais de Educação e do REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.  A expansão da educação superior brasileira pode ser analisada sob diferentes perspectivas, sejam elas sociais, econômicas, comerciais, sob o foco da internacionalização, etc. Dentre todas as perspectivas, é possível afirmar que as políticas públicas são as condutoras de tais movimentos.

REFERÊNCIAS

CLARK, Burton. Sustaining Change in Universities: continuities in case studies and concepts. New York: Open University, 2004.

 

FRANCO, M. E. D. P.; MOROSINI, C.; OLIVEN, A.; DEUS, M. A.; ZANETTINI-RIBEIRO, C. Expansão da Educação Superior e Arquiteturas Acadêmicas: tensões e desafios. Série-Estudos - Periódico do PPG em Educação da UCDB Campo Grande-MS, n.30, p.117-139, jul./dez. 2010

 

REIS, A. F.; MARTINS, R.; GAIO, J.; LOHMANN, L. Estrutura do ensino superior brasileiro: um diagnóstico estratégico societário. REBRAE. Revista Brasileira de Estratégia, Curitiba, v. 7, n. 1, p. 88-99, jan./mar. 2014.

 

SGUISSARDI, V. Reforma Universitária no Brasil – 1995-2006: precária trajetória e incerto futuro. Educação e Sociedade. São Paulo, v.27, n.96, out.2006, p. 1021-1056.

 

ZANETTINI-RIBEIRO, C. O espaço da interdisciplinaridade no contexto de pesquisa dos INCT. Tese de doutorado. UFRGS: Porto-Alegre, 2015.

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